terça-feira, outubro 16, 2018
  1. Primeiro Seminário de Saúde Mental UFAL – Campus Arapiraca
  2. Primavera Livre
  3. O que são Centros Acadêmicos?
  4. Alunos do curso de Administração da UFAL campus Arapiraca organizam o V Encontro de Gestão para o Desenvolvimento.
  5. DISCENTES DO CURSO DE EDUCAÇÃO FÍSICA SE MANIFESTAM QUANTO O DESCASO COM O GINÁSIO E PISCINA DA UFAL CAMPUS ARAPIRACA
  6. HORAS COMPLEMENTARES: EXIGÊNCIA ACADÊMICA, OPORTUNIDADE DE CRESCIMENTO E AMPLITUDE DO CONHECIMENTO.
  7. Musicar tem resultado final dos artistas classificados para a última fase do concurso
  8. Curta Metragem de Arapiraca é selecionada para Festival Internacional em São Paulo
  9. CONFIRA QUEM SÃO OS PRIMEIROS CLASSIFICADOS PARA A FINAL DO MUSICAR
  10. Projeto Som do Campus abre inscrições
  11. Senac oferta cursos que contam como horas complementares
  12. Começa votação para o I Festival de Música na UFAL Campus Arapiraca.
  13. Assistência Estudantil: Bolsa Pró-Graduando – BPG.
  14. Vamos falar sobre Monitoria e Tutoria Acadêmica?
  15. Eliane Oliveira: a Leitora do Brasil em terras africanas
  16. Curso de Letras se debruça no universo infantil de Cecília Meireles
  17. SBPC abre seleção para monitores voluntários
  18. I Festival de Música da UFAL – Arapiraca
  19. I Encontro Consultivo de Psicologia em Unidade de Palmeira dos Índios
  20. LIFE – Laboratório Interdisciplinar de Formação de Educadores.
  21. AGRICULTURA FAMILIAR UFAL ARAPIRACA
  22. Deficiência nos setores noturnos da UFAL – Campus Arapiraca
  23. Transferência Externa – Ufal
  24. FÍSICA ALÉM DA SALA DE AULA
  25. Intervalo de Terça
  26. Herbário Arapiraca (HARA) – Trilhando conhecimento
  27. Entrevista com o bibliotecário Márcio Albuquerque
  28. TRONCO INICIAL: “Eis a questão.”
  29. CLAUDEMIR CALIXTO – UM POETA ATEMPORAL E EXISTENTE
  30. Acessibilidade na Universidade
  31. O olhar investigativo da Arquitetura
  32. Educação Física
  33. Experimentos da agronomia – destaque do mestrando Junior Alcântara
  34. Medicina: a arte da cura
  35. Laboratório de informática: Quem pode?
  36. Navegando no mundo da Administração
  37. Ciências Biológicas: Construindo um meio ambiente mais saudável
  38. O Universo da zootecnia: Ufal Arapiraca
  39. Física e seus fenômenos: conheça um pouco mais!
  40. A importância dos laboratórios da UFAL campus Arapiraca no curso de Química
  41. Ciência da Computação. Fique por Dentro.
  42. Enfermagem de perto UFAL Campus Arapiraca
  43. Agronomia – O dom do campo.
  44. Pedagogia a arte da aprendizagem
  45. Administração Pública: Formação de Gestores e a Arte de Gerir
  46. A matemática está em tudo
  47. Letras – Conhecendo e aprendendo sobre esse universo

Ao nos depararmos diariamente com notícias negativas sobre a África acabamos esquecendo-se de sua natureza cultural e nossas similaridades. Talvez a mais notável semelhança seja nossa compatibilidade linguística, vendo que uma série de países — Guiné-Bissau, Angola, Cabo Verde, Moçambique, São Tomé e Príncipe e Guiné Equatorial — tem como língua oficial o português.
Buscando entender melhor essas semelhanças, conversamos com a professora do curso de letras Eliane Oliveira, que compartilhou conosco sua vivência como professora durante um período em São Tomé e Príncipe. Eliane é ativa na área de sociolinguística, mas nem sempre foi assim, visto que iniciou sua carreira interessada principalmente pelas questões mais normativas da nossa gramática. Abaixo, você pode conferir a entrevista realizada com a professora:

JUCA: Primeiro, gostaríamos de entender como aconteceu sua proximidade com a sociolinguística, como foi o percurso para você trabalhar com essa área?
ELIANE: Durante minha formação básica, tive facilidade nas aulas de Língua Portuguesa da maneira como elas me foram oportunizadas: decorava as regras e conseguia aplicá-las nos exercícios descontextualizados. No Curso de Letras, segui ainda nessa vertente até a Especialização, quando fiz uma monografia sobre a Concordância Verbal na Escola. Na defesa dessa Monografia, uma das professoras da Banca sugeriu que eu inserisse um olhar sociolinguístico naquele trabalho, elaborasse um projeto sobre a concordância verbal no uso efetivo e ela teria interesse em me orientar no Mestrado. E, claro, segui sua sugestão, ainda que, no começo, apenas para entrar no mestrado mesmo. Mas eu não previ a paixão que seria fazer isso! Apaixonei-me porque entendi que a Gramática Normativa, mesmo importante por ser o para o domínio de uma das variedades da língua, vivia ao lado de outras formas legítimas de sua realização. E assim começou o meu casamento com a Sociolinguística.
JUCA: Ainda assim, você se direcionou mais para o lado do ensino da língua portuguesa.
ELIANE: Mas eu segui para o lado do ensino, porque minha realização é na sala de aula. Portanto, aliei a pesquisadora à professora, atuando em linhas de pesquisa sobre variação linguística e ensino e linguística aplicada. Ou seja, para além de entender as variedades como legítimas, meu trabalho é ensinar a língua de uma maneira que o indivíduo, ao ter domínio de uma outra variedade, sem deslegitimar a sua, identitária e familiar, consiga transitar por todas as esferas da vida pública, interagindo eficientemente por meio da língua.
JUCA: E como ocorreu o processo para ir ensinar na África?
ELIANE: Além desse trabalho com a Sociolinguística, em paralelo, desde a Graduação, atuo em Linguística Aplicada, focando no ensino de língua portuguesa para estrangeiros. Tendo isso em meu currículo, pude participar de um processo seletivo para ser Leitora do Brasil em São Tomé e Príncipe, no qual o peso de ter ensinado português como língua estrangeira foi crucial para eu ter me classificado em primeiro lugar. O programa Leitorado é um programa do governo brasileiro, financiado pela CAPES e organizado pela DPLP – Departamento de Promoção da Língua Portuguesa no Ministério das Relações Exteriores, que leva professores especialistas em linguística, cultura e literatura, para lecionar em países no mundo. Eu fui parar em São Tomé e Príncipe, país insular localizado no Golfo da Guiné, no continente Africano.
JUCA: E quanto tempo você passou lá e o que você fazia?
ELIANE: Vivi esse sonho durante três apaixonantes anos! Lá eu ensinei a variedade brasileira do Português no Centro Cultural Brasileiro, formei professores no Curso de Licenciatura em Língua Portuguesa na Universidade de São Tomé e Príncipe, dei cursos de formação para professores do ensino público numa parceira Brasil/Ministério da Educação de São Tomé e Príncipe, falei de Literatura e Cultura brasileira em eventos, cursos, palestras, aulas e outros tantos movimentos em parceria com a Embaixada do Brasil em São Tomé e Príncipe.
JUCA: Visto isso, quais foram as maiores diferenças que você notou entre o nosso português e o português de São Tomé e Príncipe?
ELIANE: Lá, a variedade europeia do português é a língua oficial, mas convivem com ela mais quatro Crioulos (línguas legítimas, que não têm uma nação, que não são oficiais de um país). São eles o Crioulo Forro ou santomé, mais falado no País, o Lungu’iê, o Caboverdiano e o angolar. Essa convivência faz do português são-tomense algo único, incrivelmente sonoro. No começo do contato, parece, inclusive, uma outra língua! As diferenças são muitas, como a pronúncia do erre, por exemplo. Eles falam algo como “prrrrrofessorrrra”. Além disso, as inversões sintáticas e a ausência de conectores são marcas muito interessantes. O são-tomense diz “Vou dar cão comida” e o brasileiro diria “Vou dar comida para o cachorro”, “Eu molhei chuva” (eu me molhei na chuva) só para citar exemplos bem simples. Em julho, darei uma palestra em Maceió, durante o SPBC, para falar sobre isso com mais detalhes.
JUCA: E isso te forneceu muitos objetos para pesquisa?
ELIANE: O país é uma seara sociolinguística! Vivi esses anos com meu tino sociolinguístico e antropológico apurado, mas, infelizmente, não pude realizar grandes pesquisas na descrição linguística, pois meu foco e o do programa Leitorado estava no ensino. Orientei dois trabalhos com essa temática, mas a grande maioria foi mesmo no ensino, que, por conta dessa característica do português, é praticado de uma maneira muito ineficaz. Não se pode ensinar o português europeu como língua materna, que é o que acontece lá, a falantes de uma outra variedade. É uma violência cultural e identitária, e meu papel nos três anos em que lá estive foi  mostrar a variedade como uma língua legítima e não como “erro”, com é visto. Mas isso não cabe nessa discussão agora!
JUCA: Parece ter sido uma experiência incrível!
ELIANE: Falar de São Tomé e Príncipe sempre me fará falar muito! É tanta vida, tanta cor, tanta maravilha que eu me empolgo! Para finalizar, vivi três anos trabalhando a variedade brasileira do português, nossa cultura e nossa literatura, e aprendendo a cultura, a variedade e a literatura desse país incrível, de gente que tem tanta luz que a alma desce pelos sorrisos e escorre pelos olhos.

Eliane Oliveira mantém uma página com mais de 3,000 seguidores chamada de Leitora do Brasil. Lá, a professora compartilha suas experiências como professora na área da língua portuguesa bem como compartilha outros dados para quem se interessa pela área.

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