1. Primeiro Seminário de Saúde Mental UFAL – Campus Arapiraca
  2. Primavera Livre
  3. O que são Centros Acadêmicos?
  4. Alunos do curso de Administração da UFAL campus Arapiraca organizam o V Encontro de Gestão para o Desenvolvimento.
  5. DISCENTES DO CURSO DE EDUCAÇÃO FÍSICA SE MANIFESTAM QUANTO O DESCASO COM O GINÁSIO E PISCINA DA UFAL CAMPUS ARAPIRACA
  6. HORAS COMPLEMENTARES: EXIGÊNCIA ACADÊMICA, OPORTUNIDADE DE CRESCIMENTO E AMPLITUDE DO CONHECIMENTO.
  7. Musicar tem resultado final dos artistas classificados para a última fase do concurso
  8. Curta Metragem de Arapiraca é selecionada para Festival Internacional em São Paulo
  9. CONFIRA QUEM SÃO OS PRIMEIROS CLASSIFICADOS PARA A FINAL DO MUSICAR
  10. Projeto Som do Campus abre inscrições
  11. Senac oferta cursos que contam como horas complementares
  12. Começa votação para o I Festival de Música na UFAL Campus Arapiraca.
  13. Assistência Estudantil: Bolsa Pró-Graduando – BPG.
  14. Vamos falar sobre Monitoria e Tutoria Acadêmica?
  15. Eliane Oliveira: a Leitora do Brasil em terras africanas
  16. Curso de Letras se debruça no universo infantil de Cecília Meireles
  17. SBPC abre seleção para monitores voluntários
  18. I Festival de Música da UFAL – Arapiraca
  19. I Encontro Consultivo de Psicologia em Unidade de Palmeira dos Índios
  20. LIFE – Laboratório Interdisciplinar de Formação de Educadores.
  21. AGRICULTURA FAMILIAR UFAL ARAPIRACA
  22. Deficiência nos setores noturnos da UFAL – Campus Arapiraca
  23. Transferência Externa – Ufal
  24. FÍSICA ALÉM DA SALA DE AULA
  25. Intervalo de Terça
  26. Herbário Arapiraca (HARA) – Trilhando conhecimento
  27. Entrevista com o bibliotecário Márcio Albuquerque
  28. TRONCO INICIAL: “Eis a questão.”
  29. CLAUDEMIR CALIXTO – UM POETA ATEMPORAL E EXISTENTE
  30. Acessibilidade na Universidade
  31. O olhar investigativo da Arquitetura
  32. Educação Física
  33. Experimentos da agronomia – destaque do mestrando Junior Alcântara
  34. Medicina: a arte da cura
  35. Laboratório de informática: Quem pode?
  36. Navegando no mundo da Administração
  37. Ciências Biológicas: Construindo um meio ambiente mais saudável
  38. O Universo da zootecnia: Ufal Arapiraca
  39. Física e seus fenômenos: conheça um pouco mais!
  40. A importância dos laboratórios da UFAL campus Arapiraca no curso de Química
  41. Ciência da Computação. Fique por Dentro.
  42. Enfermagem de perto UFAL Campus Arapiraca
  43. Agronomia – O dom do campo.
  44. Pedagogia a arte da aprendizagem
  45. Administração Pública: Formação de Gestores e a Arte de Gerir
  46. A matemática está em tudo
  47. Letras – Conhecendo e aprendendo sobre esse universo

Claudemir Calixto , nasceu em 1983 numa família de proletariado nos arredores de Feira Nova, município de Junqueiro, no interior de Alagoas. Aos 15 anos, motivado por seu pai começou estágio como locutor numa rádio comunitária de já emancipada Teotônio Vilela. Escreveu seus primeiros rabiscos poéticos em meados de 1999. Em 2010 iniciou na profissão de radialista numa rádio, na cidade de Arapiraca e continua atuando na área, agora em Teotônio Vilela. Graduando do curso de Letras da Universidade Federal de Alagoas- UFAL. É poeta, contista e cronista e um dos fundadores do Projeto PAIOL(Projeto Artístico Insano Orgasmatico Literário) , criado em 2015

Claudemir Calixto  e Amigos integrantes do Projeto PAIOL participando da Bienal do livro na edição de 2017, no centro Cultural e de Exposições Ruth Cardoso na cidade de Maceió Alagoas

Claudemir Calixto nos recebeu em sua casa numa entrevista intimista, e no seu ” infinito particular ” , descobrimos o quão rico é o seu potencial. Tem poemas publicados no livro TRAÇOS INVERSOS , parceria feita através do projeto PAIOL (Projeto Artístico Insano Orgasmático Literário). Expondo assim , com liberdade o desejo de publicação do seu primeiro  livro autoral , que tem como título provisório TEMPÓ  que se encontra no processo criativo  sendo marcado pelo sentido efêmero . Sem data prevista para o lançamento, o aguardamos ansiosamente.    ” O papel tem  mais paciência que as pessoas”.

Veja a entrevista

O que te dirigiu para os livros e a leitura? O que foi determinante para que você se tornasse escritor?

Eu não cresci num ambiente onde a leitura era uma coisa praticada. Eu só tinha acesso a leitura na escola, mas, a leitura didática, aquela obrigatória. E, na minha fase de estudante, nos anos iniciais – primeiro, eu não estudei na educação infantil – não tinha esse incentivo a leitura, era o básico mesmo, com muitas práticas, que, inclusive, já foram reformuladas. Apesar de, durante o trajeto da formação educacional, por assim dizer, ainda nos anos iniciais, alguns professores devam ter feito isso, dado esse incentivo, mas, penso, que, ainda que tenha ocorrido, certamente foi algo opaco. Nesse período, fora a escola, eu, e meus amigos, e irmãos, e primos, agente joga bola durante as tardes de todos os dias, e às manhãs também. E nada relacionado com práticas esportivas ligadas à escola. Lamento muito não ter tido acesso à leitura desde cedo. Isso só se deu, na no início da adolescência. Lembro disso com mais nitidez nessa fase. Época do Aurélio Buarque – escola municipal de 5ª à 8ª série – onde comecei a me interessar pelo movimento estudantil. Ali conheci um professor, Milton Valério, de língua inglesa, e poeta. Foi o meu primeiro contato de fato com a poesia. Não apenas a poesia dos livros, mas, a poesia feita por gente de verdade, sabe? Pois, essa poesia que me foi relatada em outros momentos era uma intocável, e imagino que, por isso mesmo, talvez não tenha me interessado. O primeiro poema que escrevi falava sobre a natureza, lembro do título: Oceanos. Só lembro disso. Depois do Majal-San – pseudônimo do professor Milton – veio o Marlon Silva. Penso que o olhar para a poesia vem com eles dois. Sobre a leitura, eu tive professores que, já nessa época também incentivavam, posso citar, Giselda, Gilvânia, Djanete, mas uma coisa me levou à outra, não sei bem a ordem.

Qual é o efeito do conhecimento no seu trabalho criativo? 

Quando você tem referências, você consegue criar com mais subsídio. Eu duvido de tudo que crio. Acho que minha leitura é muito medíocre, e, a correria diária contribui para isso. Mas, eu tento. Ultimamente atravesso um momento de dispersão grande, não sei se pelo transtorno de ansiedade – é preciso consultar o psiquiatra, mas acho que ele também precisa consultar o seu superior, é muita gente – que faz o efeito de perda da inocência com relação ao ciclo da vida. Na verdade, essas crises diminuem o ciclo. Mas isso, é assunto para outro tipo de entrevista, com o psiquiatra. (risos).

É assim, depois de estudar um pouco dos irmãos Campos, e outros da poesia concretista, eu compreendi que escrevo coisas relevantes dentro dessa escola. Eu estou chamando de escola, mas eu nem sei se posso. (risos). Vai que isso seja coisa permitida apenas para os canônicos. Então, voltando: quando você ler os outros você meio que se encontra, se você não se perder de vez. Comigo acontece as duas coisas, me encontro e me perco, não de vez. Talvez seja isso me permita insistir. Mas, tentando responder a pergunta, é isso:  o conhecimento te impulsiona e te faz enxergar muitas coisas, te faz crescer, e, se você, conseguir compreender aquilo que tá estudando, você consegue melhor o processo criativo

A língua portuguesa, além de ser considerada uma dos idiomas mais difíceis, se renova com uma certa frequência. Quais são as suas observações quanto estudante de Letras e Escritor?

A língua de “mermo” (curioso isso, a gente não aprende mesmo, no dia-a-dia, aqui na nossa região) e vive corrigindo até os que ainda nem falam. Você chega na universidade e tudo muda. E que bom, meu Deus, que tudo muda! Eu penso que essa língua culta, não sei se todas as línguas (idiomas), falo da nossa, foi feita para excluir. E, na verdade, toda essa mudança que a língua sofre com o tempo se dá justamente nessas classes onde o próprio falar é marginalizado. Aliás, é curioso pensar que todas as riquezas vêm da parcela mais marginalizada da sociedade, veja, por exemplo, o açúcar do café do poema do Ferreira Gullar. Eu falando assim pra não ficar aquela coisa acadêmica, viu? Aliás, me permita dizer: a academia tem alguns problemas de efetividade, foi criada para a teorização, sabe? Embora isso não responda a pergunta. Eu vou voltar. Se bem que, sendo, estudante de letras, acho que posso reivindicar isso aqui. E, tem outra, eu não estou colocando a culpa em que está no comando da Universidade, não. Isso vem de outras galáxias. Todavia, veja você: reforma-se o executor das políticas do sistema, e não se reforma o sistema. O avanço intelectual da sociedade está par além da reformulação da língua através de um acordo ortográfico, isso nem foi feito para isso. Eu não estou dizendo que isso é desnecessário, tá? O que eu estou dizendo é que, talvez essa não seja a nossa grande necessidade no momento. Tudo demanda de investimento. Eu adoro e odeio a língua portuguesa. Pra mim ela é uma espécie de relacionamento cheio de amor e de caos, há coisa que você adora, e por isso, olhar com deslumbre, por outro lado, há coisa que você abomina, mas a outra parte de prende e você atravessa a vida dentro do problema e da solução. Além disso que falei, deixe-me ver o que eu poderia acrescentar… Ah, lembrei! Odeio os porquês! (risos).

Você pensa no leitor quando escreve?

Se ele vai entender. Talvez essa seja a minha preocupação quando escrevo. Será que me fiz entender? Se for algo simples que não é tão simples assim, apesar de parecer. Às vezes a poesia é subjetiva demais, outras é universal. Acho que nesse aspecto eu me preocupo com o leitor, só que, não é bem o leitor que define a forma. E, penso que isso não deve ser colocado como algo mais importante do que o que se quer dizer. A dor precisa ser fingida, depois de sentida, para, só assim ser percebida. Se você conseguir isso não vai ter muito com o que se preocupar. O Poeta deve ter um baú, ou um calabouço de sentimentos e sensações, ou essas sensações e sentimentos são iguais aos corvos (tipo aqueles do Game Of Trones), quando a gente os chama, eles vêm. Não sei bem dizer disso, só acho isso a coisa mais sublime que há.

Qual a maior dificuldade na publicação de um livro?

Se você tá me perguntando sobre o PAIOL, eu te diria que é justamente o processo de venda e arrecadação dessa venda. É assim, um livro só pode ser publicado, depois que a gente receber o que já foi publicado. Desse modo, a gente fica dependendo, especialmente da adimplência da nossa clientela, que, em geral, são alunos e professores; e tem os amigos também que compram pra incentivar. Há outros problemas, só que esses não atrapalham tanto: o projeto gráfico, que, no grupo, geralmente é feito pelo Robson, já que ele é cartunista. Então, ele tá na Paraíba, estuda lá, e tudo é feito via internet e telefone. A não ser quando tudo isso coincide em acontecer no meio ou no início do ano, que são os períodos de férias e ele vem pra cá pra Teotônio. Só que, além disso tem a agenda da CANA FILMES, que geralmente tem a participação dos integrantes do PAIOL, e demanda atenção maior do Robson. A gente precisa de todos atuando para que um livro sai, independentemente se ele for de um dos membros fundadores ou de outra pessoa da comunidade. Mas, assim, esses são problemas pequenos, de acumulo de atribuição, entendeu? Eu nem diria que isso é dificuldade, já que tudo é produção artística. É como tudo funciona, todos tem atribuições externas, não vivemos disso, não somos uma editora ou coisa do tipo, somos um Grupo Cultura com Foco na Literatura e outras artes. O problema que temos é também a solução. É preciso vender para produzir mais. Só que a gente agradece demais às pessoas que compram os livros, e, assim, convenhamos, a nossa comunidade não está familiarizada com o livro nem com a leitura. Foi pensando nisso que criamos o Livro na Cesta Básica. Mas isso fica pra outra oportunidade. Eles compram, claro, muitos, leem, outros querem ajudar o projeto. E a gente acha massa. Aliás, falando por mim, eu não esperava que o PAIOL fosse recebido da forma que foi. Tem sido muito gratificante.

Se for sobre, lançar um livro enquanto autor, nossa! É muita dúvida que lhe vem, sabe? É uma responsabilidade muito grande. Eu lembro de um texto do Paulo  Henriques Brito, tá no Livro “Formas do Nada”, ele fala dessa coisa de muita gente pensar o que estamos pensando agora. Posso dizer um texto do poema, é assim “Neste mesmo instante, em algum lugar, alguém está pensando a mesma coisa que você está preste a dizer. Pois é, esta não é a primeira vez.”

Aí eu corri em casa e disse pra minha esposa: meu amor eu te amo! (risos). Vai que alguém dissesse isso na minha ausência? (mais risos). Então é isso, sabe? Nada é novo, e isso perturba. O que vai dar sentindo a tudo é a poesia, e isso serve para a prosa também. Se tudo der certo ou errado, eu publicarei um dia (risos).


Fale – nos um pouco sobre o processo criativo de seu livro que será lançado.

Então, eu estou sempre rabiscando, quando me proponho, pois como falei anteriormente, sou dispersado o tempo todo por tudo que me rodeia. Falo do trabalho e de todas as atribuições. Então, eu tenho, além do TEMPÓ (isso é um título provisório, tá), um outro projeto, que é mais lírico, mais não, é completamente lírico. Eu acho que há lirismo em apertar parafusos também (risos). Se colocassem minha mulher apertando parafusos aos 20 anos eu me tornaria mecânico (mais risos), brincadeira. É que tem um poema que fala isso, é assim: Um dia eu aperto/ Os parafusos / Dos ombros / Reforço / As porcas / Dos joelhos… e por aí vai. Mas, por se tratar de um livro composto por poesias concretas, o pessoal do PAIOL, Marlon, Juliana, Alexsandro e Robson. Eles me incentivaram a concluí-lo. Não sei se sai esse ano, por eles, sai. Eu não quero é me comprometer. Tem a faculdade que está na reta final. Tem os fazeres gerais, e tudo contribui para sim ou não. Mas, esse eu quero fazer. Sobre o processo criativo, eu vou visualizando tudo no dia-a-dia, e aí vou construindo. Às vezes eu paro, meio que, bate uma atenção que cobra a desatenção. E me esforço mais. No geral, ele tem sido natural. São poesias, em sua maioria visuais, além do texto, claro. E, eu gosto por ser estranho. Gosto da estranheza das coisas, da beleza do estranho. Eu fico depressivo no meu aniversário, no natal e no ano novo. Não sei por que. Quero que ele cause esse estranhamento, que os leitores revirem o livro, como diz a minha vó, fazendo alusão a como no entendimento dela, os jovens de hoje namoram: coloquem o livro “de cabeça pra cima e de cabeça pra baixo”. É isso.

0 Comentários

Deixe um Comentário

Facebook Auto Publish Powered By : XYZScripts.com